<![CDATA[EKISLIBRIS - ARS, ARTES]]>Sat, 19 Aug 2017 14:22:46 -0300Weebly<![CDATA[A cabeça macabra do compositor]]>Fri, 11 Aug 2017 22:30:46 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/ars-artes/august-11th-2017Imagem
A Áustria é um país privilegiado: sua Constituição, de 1920, chamada  "Oktoberverfassung", foi redigida sob estímulo, ideia e sugestões do filósofo Hans Kelsen (que era tcheco), jurista e  considerado austríaco ‒ um dos mais importantes e influentes mestres do Direito.
A Áustria é privilegiada também por causa de seu primitivo hino ter sido composto por Joseph Haydn ‒ “Gott erhalte Franz den Kaiser” (Deus salve o Imperador Franz) que acabou sendo roubado pelos alemães e transformado no “Deutschland über alles” (Über alles in der Welt Wenn es stets zu Schutz und Trutze: “acima de tudo neste mundo quando estiver em perigo nossa [deles] a proteção e defesa... mesmo que isso custe a vida da milhões nos holocaustos). Se Haydn ouvisse esse “über alles” estaria dando voltas no túmulo.
Hoje o hino austríaco é “Land der Berge, Land am Strome, Land der Äcker, Land der Dome, Land der Hämmer, zukunftsreich!” (terra montanhas, de campos e rios, terra das catedrais, terra de martelos, e rico futuro), cuja melodia é atribuída a ninguém mais,  ninguém menos, que Wolfgang Amadeus Mozart, que também era austríaco, graças ao bondoso Deus!
Dizia meu antigo professor de Direito Internacional que mesmo assim os austríacos são tão espertos que acabarão convencendo o mundo de que Bach, Beethoven e Brahms eram austríacos e Hitler era alemão. Como vocês sabem, o cidadão Adolf Schicklgrüber que adotou o pseudônimo Adolf Hitler, nasceu em Braunau am Inn, na atual Áustria.
Mesmo nesse ritmo confuso que envolveu a finada Tchecoslováquia, a Alemanha e a Áustria, o compositor Haydn não teria tempo para dar voltas no túmulo só por causa do “über alles”. Informa-nos o musicólogo alemão Peter Hörbeispiele Bach que o austríaco Franz Joseph Haydn não gozou do merecido sossego após a morte.
Entre as aventuras póstumas de compositores, depois de Paganini a de Haydn é a mais tenebrosa.
Consta que na calada da noite, cinco dias após o sepultamento do divertido Haydn, um tal Joseph Carl Rosenbaum, frenólogo, abriu o túmulo do compositor, e roubou-lhe a cabeça. [fonte: “Haydn’s Skull is Returned.” LIFE Magazine, June 28, 1954].
Não pensem vocês que o Rosenbaum andasse na mesma linha do Dr. Victor Frankenstein tentando montar um Golem do compositor com parafusos no corpo todo; nada disso ‒ Rosenbaum queria descobrir em qual ponto do cérebro estavam as células ou neurônios da composição musical.
Se fosse nos dias de hoje, bastava que Rosenbaum dissecasse a cabeça de um desses compositores da música popular brasileira dos últimos 50 anos: ele não encontraria nada dentro além de vácuo ou matéria fecal (não todos, evidentemente; há umas 3 ou 4 exceções).
Voltando ao Haydn, a cabeça dele permaneceu longe do corpo por bastante tempo. Somente em 1820 os Esterházy (família nobre do Império dos Habsburgos e Áustria-Hungria) decidiram transferir os restos mortais do empregado compositor. Ao abrirem a tumba, caíram de costas: “papa Haydn” ‒ como o chamava Mozart ‒ estava mula-sem-cabeça! Na certa todos mantiveram silêncio obsequioso em relação ao fato: um maçom (Haydn era) sem cabeça só podia ser coisa do diabo! E algum sacerdote logo entoou:
Exorciso te! Vade retro! Regna terrae, cantate deo, psallite domínio in capite Joseph Haydn. Tribuite virtutem deo. Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potes tas, omnis incuriso infernalis adversarii, omnis legio, omnis congredatio et secta diabólica

Lá pelo ano de 1895, um crânio foi encontrado como relíquia na Sociedade dos Amantes da Música de Viena.
‒ Só pode ser o Haydn!, berrou o Condestable Johannes Bachofen Obendowsky. 
E todos correram para celebrar com incenso e Quartetos de Cordas a cabeça mirabolante.
Mas ficou nisso: terminava naquele ano a Primeira Guerra-Sino-Japonesa e fundava-se, na cidade do Rio de Janeiro, o Clube de Regatas do Flamengo. A humanidade tinha mais coisas mais importantes em que pensar além de cabeças decepadas de meros criados músicos que comiam junto com os demais empregados na corte dos Esterházy.

“Em 1954 a sagrada cabeça pôde unir-se ao corpo num magnífico sarcófago, em mausoléu mandado fazer pela família de seus empregadores Esterházy, na Bergkirche de Eisenstadt” conforme disserta o douto Peter Hörbeispiele Bach (quando forem à Austria, não deixem de conferir: Josef-Haydn-Platz 1, 7062 Eisenstadt, Áustria, Telefone: +43 2682 62638).
No próximo artigo eu conto as aventuras póstumas de Niccolò Paganini.
Durmam com os anjos e não tenham pesadelos.

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<![CDATA[Não vá o sapateiro além da sandália]]>Sun, 30 Jul 2017 16:09:06 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/ars-artes/july-30th-2017Imagem
Quando criei este blog, o lema era: "Reflexões leigas sobre Ciências, Músicas, Literaturas, Religiões e Filosofias". Isso porque minha ignorância não é especializada. Sou leigo em todos os assuntos. A bem da verdade e da pátria, o provérbio latino ensina e adverte: "ne sutor ultra crepidam". Cito em latim porque todas as coisas ditas nessa língua parecem ser mais verdadeiras.
SUTOR-sutoris significa sapateiro; ULTRA é preposição, significa além; CREPIDA é sandália. O dicionário latino-português de Torrinha traduz "ne sutor ultra crepidam" por: “quem te ensinou, sapateiro, a tocar rabecão?” Isso não quer dizer que um sapateiro não possa tocar contrabaixo (rabecão). Pode sim, e muito mais! Jacob Boehme (1575-1624) trabalhava como sapateiro, sustentando família com quatro filhos, e foi um filósofo importante. Mas não sei se ele tocava contrabaixo... talvez o Leandro Karnal, o Mário Sergio Cortella ou o Luiz Felipe Pondé toquem rabecão, instrumento muito apropriado à filosofia..
O sentido do provérbio latino é apenas pedagógico, pois sabedoria, inteligência, pernilongos e má-fé voam por toda parte. Por toda parte também os autores sobre auto-ajuda que se dizem filósofos e filósofos desconhecidos como foi Louis Claude de Saint-Martin.
"Ne sutor ultra crepidam" significa, ao pé da letra, “não vá o sapateiro além do sapato”. O caso se deu na Jônia durante a segunda metade do século IV antes de Cristo, em data que não sei precisar, entre Apeles, pintor e escultor grego e um sapateiro da região.
Tendo Apeles terminado belíssima peça retratando uma divindade do Monte Olimpo, apresentou-se um rude fabricante de sandálias da Ilíria chamando a atenção de Apeles para um erro nas sandálias da divindade. - Ops!, disse Apeles – e apressou-se para corrigir a falha. Terminada a correção, o fabricante de sandálias, entusiasmado, começou a fazer observações e críticas sobre o nariz e o queixo da figura retratada. Apeles apelou: - Não, isso eu não aceito, é demais! Não queiras ir além das sandálias! E o dito pegou, passou da Grécia para Roma e ficou sendo "ne sutor ultra crepidam" – não vá o sapateiro além do sapato.
É interessante notar que SUTOR-sutoris significa também inventor; e CREPIDO é a base de um templo ou altar. Portanto, vale esta outra tradução: “não vá o inventor além das bases do templo”. Nestes dias de incerteza e revelações misteriosas, que entendam os bons entendedores.

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<![CDATA[Com a palavra, Marco Antônio Guimarães]]>Sun, 30 Jul 2017 15:11:38 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/ars-artes/com-a-palavra-marco-antonio-guimaraesImagem
"Zé Maurício, bom colega e amigo desde os tempos em que não existiam afinador eletrônico, fax, CD, xerox... mas era perfeitamente possível afinar o instrumento usando os próprios ouvidos, enviar cartas ( se urgente, um telegrama ), ouvir elepês ( esse papo de "vinil" é coisa moderninha ) e manusear um mimeógrafo com maestria quando só o papel carbono não dava conta. 
Nossa especialidade sempre foi enxergar o lado engraçado de tudo e todas as coisas do mundo e, para algumas mais merecedoras, criar uma historinha com começo, meio e fim. 
Nossa teoria sobre o "Engradado de Galinhas" foi sendo desenvolvida aos poucos nos cafés de intervalos de ensaios sinfônicos até atingirmos a "quase" perfeição absoluta ( porque, segundo nosso guru Eleazar, "a perfeição é o início da decadência" ) quando, então, a gente começava a trabalhar em outra nova teoria como, por exemplo, "O Grande Parabéns".
A respeito dessas teorias esotéricas, preciso consultar o Zé Maurício para saber se algum dia poderíamos publicá-las sem ter que, necessariamente, matar todos do facebook que lessem... vamos ver.
Em São Paulo, na Osesp do tempo do maestro Eleazar de Carvalho, nossa missão secreta era anotar as palavras inventadas de improviso durante os ensaios pelo maestro Eleazar e usadas em situações de humor ( de todas as cores ), tais como: "Zóbel", "Zenóbel" e muitas outras que a prodigiosa memória do José Maurício certamente ainda guarda. 
Durante os ensaios, a cada nova palavra criado pelo maestro, a gente se olhava e fazia um gesto que significava "essa é nova" e anotávamos. O objetivo da missão era criar um glossário completo com as criativas e algumas vezes ousadas palavras que o maestro Eleazar criava quando estava prestes a perder a paciência. 
Caro amigo, é uma honra ser escolhido para a estréia de sua nova página "Música". Se este texto quase singelo for merecedor, bota ele lá. 
Abraço.
Em tempo, para aqueles que buscam um blog muito inteligente, em textos e humor, para leitura, recomendo muito o Ekislibris."

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