<![CDATA[EKISLIBRIS - BLOG]]>Mon, 28 Aug 2017 15:20:54 -0300Weebly<![CDATA[August 11th, 2017]]>Fri, 11 Aug 2017 03:00:00 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/blog/august-11th-2017<![CDATA[O Dia do Maçom não é O DIA DO MAÇOM]]>Mon, 07 Aug 2017 20:37:09 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/blog/o-dia-do-macom-nao-e-o-dia-do-macomImagem
Voltamos à mesma ladainha de todos os meses de agosto, “mês do cachorro doido”:
O dia 20 de agosto, ao contrário do que muitos pensam, não é o autêntico e histórico Dia do Maçom. No século dezenove, nossos Irmãos contavam os meses e dias de acordo com o calendário “da natureza”, começando o ano em Nissan, mês que marca o início da primavera no hemisfério norte e outono no sul. No calendário judaico, os meses podem ter 29, 30 ou 31 dias dependendo da lua nova. Entre os dias 17 de junho e 25 de outubro de 1822 foram realizadas dezenove sessões no Grande Oriente Brazílico (assim era o nome, com z). Entre elas, a do VIGÉSIMO DIA DO 6º MÊS DA VERDADEIRA LUZ DE 5822, ou seja – no dia 9 de setembro de 1822. O sexto mês, a contar de Nissan, é Elul, na passagem de agosto para setembro. Já o ano 5822 é a soma de 4000 Anno Lucis ao ano civil 1822. Nessa célebre sessão de 9 de setembro de 1822 (vigésimo dia do 6º mês da verdadeira luz de 5822) os Irmãos, sem terem tomado conhecimento do que acontecera em São Paulo dois dias antes (7 de setembro), atenderam à moção do Irmão Joaquim Gonçalves Ledo e proclamaram, em Loja, a Independência cuja legalização iriam submeter e atribuir a D. Pedro I. Podemos dizer, portanto, que a proclamação da Independência foi intelectualmente articulada dentro do Grande Oriente Brazílico e o vibrante discurso do Irmão Gonçalves Ledo, fazendo sentir a necessidade da Independência, aconteceu no dia 9 de setembro. O “grito” já havia sido dado. Ledo e os demais Irmãos só tomaram conhecimento disso mais tarde.
Em junho de 1957 foi encaminhada uma proposta à reunião da Confederação das Grandes Lojas sugerindo o dia 20 de agosto como "Dia do Maçom" por ter sido a data da “proclamação da independência dentro de um templo maçônico". E os presentes à reunião, acertaram quanto ao mês (Nissan = agosto/setembro), mas erraram quadraticamente sobre o vigésimo dia. Num ímpeto de desatenção, esqueceram que Nisan não começa em 1º de março, e sim no equinócio de outono entre 20/23 de março conforme a lua. (Para maiores detalhes, consultar o livro "DO PÓ DOS ARQUIVOS" de José CASTELLANI, páginas 25/26).
ADENDO 1: "O equívoco partiu de uma interpretação de José Maria da Silva Paranhos que confundiu as datas desconsiderando a relação entre o calendário oficial e o cômputo dos dias adotado pela Maçonaria. A patusca desordem teria parado nessa “cronologia” se infundadas decisões não viessem somar-se às já anteriormente existentes. Naquele tempo, a distância entre o Ipiranga (São Paulo) e o Rio de Janeiro era de aproximadamente 7 a 9 dias a cavalo da raça quarto de milha. Mas, as notícias vinham nos lombos de simples mulas! Conta-nos o padre Belchior, em carta de 1896, que no dia 7 de setembro de 1822, D. Pedro I (já iniciado com o nome de Guatimozim em 2 de agosto de 1822) mandou-o ler em voz alta as cartas trazidas de Portugal. Ali mesmo, às margens do Ipiranga, tremendo de raiva, D. Pedro arrancou das mãos do padre os papéis e, amarrotando-os, pisou-os sobre a relva. “D. Pedro – diz textualmente a carta - caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro e outros, em direção aos nossos animais, que se achavam à beira da estrada. De repente estacou-se, já no meio da estrada, dizendo-me: - Padre Belchior, eles o querem, terão a sua conta. As Cortes me perseguem, chamam-me, com desprezo, de rapazinho e brasileiro. Pois verão agora o quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações: nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal! E arrancando do chapéu o laço azul e branco, decretado pelas Cortes, como símbolo na nação portuguesa, atirou-o ao chão, dizendo: - Laços fora, soldados! Viva a independência, a liberdade, a separação do Brasil.” E - prossegue o padre Belchior – “galopou, seguido de seu séquito, em direção a São Paulo (...) mal apeara da besta, D. Pedro ordenou ao seu ajudante de ordens que fosse às pressas ao ourives Lessa e mandasse fazer um dístico em ouro, com as palavras “Independência ou Morte”, para ser colocado no braço, por um laço de fita verde e amarela.” (nota 1)Consta que Mário Behring teria definido e uniformizado as datas num ‘polêmico’ Ato de 1922, ano do centenário da Independência e do Grande Oriente do Brasil. Não obstante a ajuda do então Eminente Grão-Mestre do GOB-MG, Irmão Amintas de Araújo Xavier, não conseguimos encontrar esse "bendito Ato". Mas Castellani insistia nesse ponto: o então Grão-Mestre Geral do G.O.B., Irmão Mário Behring, visando dirimir dúvidas sobre a relação das datas do calendário oficial e o cômputo dos dias adotado pela Maçonaria, definiu os principais eventos do calendário usado na época da Independência, quando o ano maçônico começou em Nissan, finais de março. Eis alguns excertos na grafia da época: (...) 5º - Iniciação do Principe Regente como maçon, na Loja “Commercio e Artes” a 2 de Agosto de 1822, da E.: V.:, 13 do V mez do anno de 5822, da V.: L.:, donde resultou sua mais intima ligação com a Independencia, como se verifica do seu manifesto de 6 do mesmo mez; 6º - O grito de Independencia ou Morte, dado pelo Principe Regente nas margens do Ypiranga, 7 de Setembro de 1822, da E.: V.:, 18 do VI mez do ano de 5822, da V.: L.:, e proclamação da Independencia votada nas sessões do Grande Oriente do Brasil a 9 e 12 de setembro do mesmo mez e por editaes do Senado e da Camara do Rio de Janeiro, de 21 do dicto mez e anno; 7º - Finalmente, a posse do Principe Regente como Grão Mestre da Maçonaria no Brasil, a proclamação do Imperio e a aclamação do Principe a Imperador Constitucional do Brasil e seu Defensor Perpetuo, a 4 de outubro de 1822, 14 do VII mez do anno de 5822, da V.: L.:, e designação do dia 12 do mesmo mez (22-VII-5822) para se tornar publico e official esse acto”. CONSUMAÇÃO DO ERRO: Apesar dessa clareza, o Irmão Osvaldo Teixeira, da Loja “Acácia Itajaiense” de Santa Catarina, encaminhou de boa-fé uma proposta à reunião da Confederação das Grandes Lojas - realizada em Belém entre os dias 17 e 22 de junho de 1957 - sugerindo o 20 de agosto como "Dia do Maçom" por ter sido a data da “proclamação da independência dentro de um templo maçônico". Equivocou-se e os presentes à reunião, talvez desconhecendo o Ato do então Grão-Mestre do G.O.B. - e posterior fundador das Grandes Lojas, Irmão Mário Behring - aceitando, na febre do entusiasmo e também de boa-fé, seguir a interpretação canhestra de José Maria da Silva Paranhos."
Seja como for, vamos comemorar o Dia do Maçom em 20 de agosto, assim como nos dias 7 de setembro, 9 de setembro, 13 de maio (Lei Áurea), 15 de novembro ‒ enfim: comemoraremos o Dia do Maçom nos 365 dias do ano, pois maçonaria não se faz uma vez por semana nas reuniões de Loja; Maçonaria é atitude social e fraternidade a cada minuto de nossas vidas.
- - - - - - - - - - - - - - - - -
       (nota 1) : O verde “das matas”, o amarelo “do ouro”, o azul “do céu” são meras interpretações poéticas. Na verdade o verde é a cor da Casa de Bragança, herdeira de Avis (D. Pedro I), sendo o amarelo a Casa dos Habsburgos, da qual Leopoldina, esposa de D. Pedro I, era filha. Na bandeira de 1820, confeccionada por Jean-Baptiste Debret, foram acrescentados ramos de café e de tabaco junto a um círculo azul (na emblemática simboliza a lealdade e a justiça) com dezenove estrelas representando as províncias, além da Cruz da Ordem de Cristo e a esfera armilar, insígnia das grandes navegações (meu livro Grande Loja Maçônica de Minas Gerais História, Fundamentos e Formação.)
ADENDO 2 (01 agosto 2017) ‒ Em momento bastante oportuno, o Irmão José Roberto D'Abronzo nos informa que tem um exemplar de Caderno de Estudos Maçônicos da Editora Maçônica "A TROLHA" onde, na pág. 149, José Catellani mostra que em 20 de agosto não houve sessão na maçonaria. Cauteloso que era, Catellani solicitou um fac-símile das certidões das atas, cuja cópia se encontra na pág. 152 daquele exemplar, que por ser de difícil visualização (está clara demais) o Irmão D'Abronzo digitou, tal como lá se encontra com a grafia de então. Só tenho a agradecer ao Irmão José Roberto D'Abronzo que, como bom maçom e estudioso, acrescente elementos à nossa convicção, ao contrário de alguns (poucos) que apenas se manifestam para achincalhar o trabalho sério que buscamos desenvolver nos grupos maçônicos. 
“Certidão das actas das sessões do Grande Oriente feita requerimento de Mello Moraes
Sapientíssimo Grão Mestre e Grande Commendador Procese-se:
Rio 14 de Ag. 1861
M.d’Abrantes
Dezejando revindicar na Corographia do Brazzil que estou publicando a iniciativa que teve o Grd.’.Oriente nos actos da Independencia e Aclamação do seu primeiro Imperador e União das Provincias que alguns escriptores mal informados attribuem a outras associações e individuos, preciso que o Resp.’.Ir.’.Grande Secretario Chefe do Gr.’.Secr.’.passe por certidão o que constar a tal respeito das Actas das Sessões do Gr.’.Or.’.de n° 13 a 17 e o mais que constar a respeito da Acclamação do Primeiro Imperador em Assembléa Geral do Povo Maçonico antes do dia 12 de Outubro de 1822.
Rio de Janeiro 12 de Agosto de 1861
Dr Alexandre J. de Mello Moraes Gr.’.33.’.
Grande Orador do Gr.’.Or.’.
Em cumprimento do despacho de sua Excellencia Marquez d’Abrantes Grande Mestre Grande Commendador da Ordem Maçonica no Brazil, exarado no requerimento antecedente do Grande Orador da mesma Ordem Dr.Alexandre Jozé de Mello Moraes, em o dia 14 d’Agosto corrente extrahi do Livro 1° das Actas das Sessões do Grande Oriente do Brazil a respeito do que requer o supplicante o seguinte:
1° Que da acta da sessão em 13 do 5° mez do anno 1822 (2 d’agosto) consta ter o Grande Mestre da Ordem então, o Conselheiro Jozé Bonifacio d’Andrada e Silva proposto para ser iniciado nos mysterios da Ordem S.ª D. Pedro d’Alcantara Principe Regente do Brazil e seu Defensor Perpetuo e que sendo aceita a proposta com ananime applauso e approvada por acclamação geral, foi immediata e convenientemente communicada ao mesmo proposto, que dignando-se aceita-la compareceo logo na mesma sessão e sendo tão bem logo iniciado no primeiro gráo na forma regular e prescripta pela liturgia, prestou o juramento da Ordem e adoptou o nome heroico de = Guatimozin.
2° Que da acta da sessão de 16 do mesmo mez e anno (5 d’agosto) presidida interinamente pelo 1° Grande Vig.’. do Gr.’. Or.’.Joaquim Gonçalves Ledo consta ter sido proposto e approvado para o gráo de Mestre o sobredito  Ilustre Aprendiz Guatimozin, que por ter ficado pertencendo à Loja N° 1 denominada Commercio e Artes foi incumbido de lhe conferir o dito gráo e respctivo Veneravel Manoel dos Santos Portugal. (ou seja três dias após Guatimozim já era Mestre Maçon)
3° Que da acta da Sessão de 20 do 6°mez do mesmo Anno de 1822 (9 de setembro) consta não só que tenho sido convocados os maçons membros das tres Lojas Metropolitanas para esta sessão extraordinaria, com o especificado fim adiante declarado sendo tambem presidida pelo sobredito 1° Grande Vig.’. Joaquim Gonçalves Ledo, no impedimento do Grande Mestre Jose Bonifacio, dirigira do Solio um enérgico e fundado discurso demonstrando com as mais solidas rasões que as actuaes politicas circumstancias de nossa Patria, o rico fertil e poderoso Brazil demandavam e exigiam criteriosamente que sua cathegoria fosse inabalavelmente formada com a proclamação da nossa Independencia e da Realeza Constitucional na pessoa do Augusto Principe Perpetuo Defensor do Reino do Brazil, mas também, que esta moção fora approvada por unanime e simultania acclamação expressada com o ardor de mais puro e cordial enthusiasmo patriotico.”
Logo, a proclamação aconteceu em 09 de Setembro de 1822 ou no 20° dia do 6° mês do ano de 5.822 da V.’.L.’. de acordo com o fac-símile de certidão da ata da sessão do Gr.’. Or.’. que traz à luz a verdadeira história com provas documentais. Por conseguinte, a queda de braço entre os IIr.’. Vernhagen e Rio Branco, saiu vencedor Vernhagen.

]]>
<![CDATA["Uai", isso é mais que zombaria]]>Thu, 03 Aug 2017 13:29:28 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/blog/uai-isso-e-mais-que-zombariaImagem
Ah, pois! Jurava que eu não queria voltar nesse assunto, mas o diagnóstico do inverossímil foi bem diagnosticado por nosso Irmão João Guilherme Ribeiro quando classificou de “equívocos e repetecos psitaciformes” um universo de bobagens das quais vivemos inconscientemente.
Não é que eu seja do contra, mas como bom sertanejo dou um boi prá não entrar numa briga e uma boiada prá não sair dela.
Venho me batendo há mais de oito anos com uma barbaridade sobre maçonaria que rola na internet ‒ igual a um bumerangue: aparece, faz um estrago danado, depois some, e volta outra vez. É uma espécie de maldição. Sou uma espécie de Don Quixote, “de lança em cabildo, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor”, mas ataco até moinhos de vento quando a questão e defender Minas Gerais ou a Maçonaria Universal.
O seguinte: se Vosmecê digitar a palavra ‘uai’ no professor Google, aparecerão quase 2.000 páginas reproduzindo uma bobagem danada ‒ uma história prá boi dormir criada por pura zoação, perpetrada por um grupo bem-horado de São Paulo prá móde gozar a Maçonaria e os mineiros.
É a lenga-lenga atribuída a Sílvio Carneiro(?) e Dorália Galesso(?) que disserta sobre as iniciais ditas maçônicas U.A.I. (União, Amor e Independência) uma “senha” utilizada pelos “integrantes da Inconfidência Mineira” para que a “porta” do local de encontros secretos fosse aberta. “Era uma maneira de se protegerem da polícia portuguesa” ‒ dizem os loroteiros; daí as iniciais foram popularizadas por nós mineiros e faz parte da linguagem corrente no trejeito do “uai”.
Salto na sela, e me levanto de molas num desafogaréu.
Bastava que esses desinformados e debochados consultassem o Dicionário Aurélio, no verbete “uai” para saberem que o mote é interjeição no Brasil e provérbio lusitano que “exprime surpresa, espanto ou terror”, ou “são expressões neutras, de outros usos...”, como disse o Guimarães Rosa. Ora, se é provérbio lusitano (isto é, de Portugal), como é que os assim chamados “integrantes da Inconfidência Mineira” usavam essa patuscada para se protegerem da polícia portuguesa? No mais, essa interjeição aparece na literatura portuguesa e brasileiras anteriores à Inconfidência Mineira.
O que eu queria uma hora destas era ser famigerado — bem famigerado, o mais que pudesse!...
Por sua vez, o Dicionário Houaiss assinala: interjeição; regionalismo: Brasil, exprime espanto, pasmo, surpresa, admiração, susto ou impaciência; empregado para reforçar o que foi antes dito, como se se estranhasse a dúvida do interlocutor.
Alguém se candidata a contestar o Aurélio ou o Houaiss? Afinal de contas, dicionário é pai dos burros, né mesmo?
O recorte de jornal (ver ilustração) que espalha essa sapiência de araque, cita como fonte o “Jornal Correio Brasiliense” (com ‘s’), quando a grafia tradicional desse jornal é com ‘z’ ‒ Correio Braziliense. Nem esse cuidado os falsificadores tiveram, além de não citarem a data da publicação, que é o mínimo que se espera de uma boa informação. E, for heaven's sake, de onde veio esse recorte?
Todas as palavras e expressões ressaltei acima resumem minha impaciência pela presepada que carregam.
Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é “uai” e o que são maçonarias.
1) não existem “senhas” nas maçonarias; o que utilizamos para reconhecermos um ao outro é mais pelo jeitão e palavras certas. Além disso, a prosa para entrar numa Loja nunca acontece da forma descrita: um perguntando de dentro e outro respondendo do lado fora, com a porta fechada.
2) não existiram “integrantes da Inconfidência Mineira” e sim Inconfidentes. Começa aí a falácia dos professores que ensinaram essa bobeira.
3) o local de encontros de maçons é (e sempre foi desde as escócias e irlandas) uma Loja. Ninguém, em toda a história das maçonarias, chamou a Loja ou o Templo de “local de encontro”, pois somos homens de bons costumes, uai...;
4) quanto à “porta”, seria bom que Vosmecê soubesse que se entra no Templo (ou Loja) através de um portal;
5) os maçons jamais pronunciam qualquer coisa por iniciais. Nossa prosa é sempre pela palavra por inteiro. Mesmo o nome do Ser Supremo (ou Deus), G.A.D.U., quando escrito por iniciais só deve ser pronunciado Grande Arquiteto do Universo, por inteiro e muita reverência;
6) nenhum grupo maçônico adota outras formas de reconhecimento senão aquelas tradicionais que perduram durante séculos. Os Inconfidentes não seriam tolos nem bufões para entrarem numa canoa furada dessa magnitude e darem com os burros n’água (deram sim, mas por outros motivos);
7) tem ainda um agravante que desmascara essas invenções de Lojas em Minas Gerais no tempo dos Inconfidentes: o ilustre conterrâneo Marcos Paulo de Souza Miranda, escritor e historiador, diz não ter dúvidas de que no século XVIII já existiam maçons na Capitania das Minas Gerais, mas cita a inauguração em Vila Rica, no ano de 1821, da primeira Loja de que se tem notícia em nosso Estado, a “Mineiros Reunidos”, cujo primeiro Venerável Mestre foi Guido Thomaz Marlière.
Quanto ao mais, o Nonô Juscelino Kubitschek que eles envolvem nessa extravagante zombaria nunca incentivou qualquer tipo de pesquisa nesse sentido. Ele era dos sabidos, estudado nas europas. Muito menos haveria motivos para alguém investigar maçonarias nos anais da arquidiocese de Diamantina só porque Nonô nasceu praquelas bandas.
Considere-se também o fato de que o Jornal Estado de Minas começou a circular no dia 7 de março de 1928 quando já existiam em Belo Horizonte duas Potências Maçônicas: o Grande Oriente estadual jurisdicionado ao GOB e a recém fundada Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, fundada em 1927. Será que os maçons daquele tempo, tudo gente competente, não dariam notícia dessa monstruosa versão?
Pertenço à Academia Maçônica Mineira de Letras, cujo patrono é o Tiradentes, e onde os acadêmicos exibem dissertações sobre os patronos de cada uma das Cadeiras ‒ os Inconfidentes. Ninguém por lá fala dessa esquisitice.
Escrevi em 2014 o livro “Grande Loja Maçônica de Minas Gerais História, Fundamentos e Formação”, fruto de pesquisas em bibliotecas mineiras, arquivos públicos, jornais e revistas, assim como entrevistas com os maçons mais antigos de nossa Potência e, na falta deles, proseei com suas viúvas e filhos. Nunca, em lugar algum, vi ou ouvi vestígios dessa conversa mole.
Das outras vezes que contestei essa lorota, alguns primos de avental puseram minha cabeça a prêmio. Sobrevivi, “o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. Sei o que é influência de fisionomia”, saíram e vieram, aqueles para morrer em guerra, no que se imortalizou o famigerado de João, o primo Guimarães Rosa.
Nada melhor, o senhor verá, que uma lorota para mofar a inteligência e colocar todos nas águas lodosas da zona de conforto.
E não adianta me provocarem ou enviarem provas cabais sobre o assunto. O que eu disse está dito; mostrem-me os anais da arquidiocese de Diamantina.


]]>
<![CDATA[SOBRE BACON & TOUCINHOS]]>Wed, 26 Jul 2017 12:34:36 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/blog/sobre-bacon-toucinhosImagem
Francis Bacon (1561-1626), autêntico inglês daquela que é a melhor das ilhas “deste que é o melhor dos mundos possíveis” resolveu, certo dia, contrapor-se ao aborrecido Aristóteles. Fez uma boa caminhada até a Torre de Londres, deu uma cachimbada do bom tabaco Latakia e voltou para casa, os olhos brilhando. Daquele momento em diante, Francis passou a pensar como outro Bacon, o frade franciscano, alquimista e filósofo Roger, pioneiro do Nominalismo em ciência empírica.
Como todos estão carecas de saber, Roger Bacon viveu muito antes do Francis, entre 1210 e 1290 mais ou menos, também nos limites da ilha.
O pensamento de Bacon foi além do toucinho:  mostrou com clareza franciscana que nossas ideias e conceitos são bloqueados pelos idola.
Em latim, pelo do grego antigo, idolom/idola significa falsa divindade, espectro, simulacro ou fantasma. Para facilitar o entendimento, vamos considerar que idola seja o mesmo que ‘ilusão’ (os filósofos vão querer a minha morte metafísica quando lerem esse meu arranjo).
E Francis Bacon assim classificou:
a) Idola Tribus (‘ilusões’ da tribo) provocados pela natureza enganosa da percepção e dos sentidos; b) Idola Specus (‘ilusões’ da caverna) oriundos da individualidade obscura da caverna da educação e das relações entre as pessoas de um mesmo grupo; c) Idola Fori (‘ilusões’ da vida pública), enganos nascidos das relações interpessoais ou comerciais moldadas pela linguagem. E, por último, d) Idola Theatri (‘ilusões’ da autoridade) fantasmas que adquirimos mediante a crença em autoridades religiosas, científicas ou filosóficas.
Se Francis Bacon vivesse hoje, ele acrescentaria mais um: Idola internética (‘ilusões’ da internet) que consiste no caos do pensamento quando alguém se expressa através de e-mails, grupos de discussão, facebook, whatsapp, twitter, instagram, etc.
Vocês já perceberam que ninguém sequer se detém por mais de 3 segundos para ler, refletir e tirar conclusões sobre qualquer coisa na internet? A única coisa que se faz é “curtir” ‒ mesmo assim com uma figurinha, um ideograma como na idade da pedra lascada. No meu tempo de antigamente, esse negócio de “curtir” significava o ato de colocar couro de molho em líquido especialmente preparado para amaciá-lo e deter a sua decomposição orgânica. Vou ficar com essa definição do Houaiss (e considerar que, quando alguém “curte” o que escrevo é porque colocou minha opinião em molho salivar, ou baba, para amaciar meu raciocínio e deter minha composição orgânica).  
Os mais aguerridos trogloditas vão um pouco além: soltam grunhidos e partem para a agressão. Se grandes amores e até mesmo casamentos acontecem nos desvãos das redes sociais, também as boas e velhas amizades tornam-se azedas ou apodrecem por causa de um simples e-mail.
Sem contar que você tem que dar explicações o tempo todo, justificar porque disse isso e não aquilo, traduzir para a pequeneza alguma figura de estilo ou pérola literária para não desagradar esse ou aquele analfabeto funcional. É uma canseira danada: você diz pedra, eles entendem sapato; você diz sapato, eles entendem macarronada; você diz macarronada, eles entendem cadeado; você diz cadeado eles entendem pedra ‒ um eterno Ouroboros, serpente que morde (ou mordia) a própria cauda. Isso tudo seria muito pouco, acreditem, sem as indigestas cerejas no topo do bolo: fake news (notícias falsas), correntes de orações (a famigerada santa igreja caótica ciberneticana), piadas antigas que vêm e vão como cometas ou boomerangues insistentes... e as listas de adesão em causas políticas suspeitas.
        Bela civilização esta do século XXI! ‒ pensávamos ser os criadores da web e acabamos enredados na teia dessa gigantesca aranha de mil patas, vigiados e torturados pelo “grande irmão” como previa George Orwell no livro "Nineteen Eighty-Four" (em português: Mil Novecentos e Oitenta e Quatro ou 1984).

]]>
<![CDATA[A Torre de Babel]]>Tue, 25 Jul 2017 14:21:28 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/blog/july-25th-2017Imagem
Estou reconstruindo o Site e este Blog do Ekislibris (para a alegria de alguns e o desespero de muitos).
Aos poucos vou revisar o material antigo e refundindo tudo numa linguagem menos amena e mais babélica.
Consta que, quando Deus veio reconstruir o mundo, após o dilúvio, toda a terra tinha uma mesma língua antes de o Sinar ser ocupado pelas gerações e nações divididas depois do aguaceiro. Phaleg, que ironicamente significa "divisão", era mestre-arquiteto do rei Nimrod (a responsabilidade dessa afirmativa é de Flávio Josefo que viveu entre os anos 37 e 100 da nossa Era; cobrem dele). Daí, edificaram uma cidade e uma torre cujo cume haveria de tocar nos céus.
E Deus disse: “Eis que o povo tem uma mesma língua e não haverá restrição para o que intentarem fazer. Confundirei sua linguagem para que não se entendam um ao outro”. E confundiram-se as línguas e dali foram eles espalhados sobre a face de toda a terra: estavam criadas a internet e as redes sociais.
A história ainda registra alguns episódios doidivanos desta natureza: Phaleg, estando desempregado, abandonou a região da ex-Torre e foi para a região da Prússia, na Alemanha (certamente já devia existir a Deutschland e alguma longínqua ancestral de Angela Dorothea Kasner, ou Merkel, estaria chancellando por lá).
Imagino que esse Phaleg tenha sido contratado pelo ilustre Barão Thunder-Ten-Tronckh, no castelo da Westphalia, e lá ter construído uma moradia hexagonal onde recebera diversas vezes o pensador francês Voltaire.
Jean Baptiste de Willermoz, cujo verdadeiro nome era Juan Batista Villa Hermosa (nascido no México) entendia que a Torre de Babel é a verdadeira origem de todo o esoterismo ocidental. Mas isso foi em Villa Hermosa, muito antes de um outro Nimrod republicano e modernos arquitetos da grande nação onde voa a Bald Eagle pensarem em construir a nova muralha da China.
Conclusão - as redes sociais, como disse Umberto Eco, deram voz aos imbecis:
"As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade” (em entrevista à Revista Época, em 2011).

Resta-nos um poema de Décio Pignatari
torre de babel (1960)
TORRE DE BABEL
TORRE DE BELÉM
TURRIS EBURNEA
TOUR EIFFEL
TOUR DE FORCE
TOWER OF LONDON
TOUR DE NESLE
TORRE DI PISA
TORRE A ESMO

ENEREATLRIE
TBOIOCRDEFO
EARREEDBTSF
RRUSIOSOEEO
OTEBEDTTALO
ULORBTEOAOF
ROOSLNRRETE
MNPDERFRRLM
ETDEUWEREIN
URUD


(fonte: http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet096.htm) 



]]>
<![CDATA[Os ingleses e os cangurus]]>Tue, 25 Jul 2017 12:50:04 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/blog/os-ingleses-e-os-cangurusImagem
Fiquei sabendo do caso num artigo intitulado "Amerindian perspectivism and indeterminacy of translation", também citado por Ian Hacking no Jornal Britânico de Filosofia e Ciência em "Wittgenstein's operator N".
Trata-se do "perspectivismo ameríndio e indeterminação da tradução": Durante a viagem do explorador Capitão James Cook (1728-1779) à Austrália, alguns de seus marinheiros capturaram um filhote de canguru e trouxeram a estranha criatura à bordo do navio. Ninguém sabia o que era aquele bicho. Então o Capitão Cook enviou outro grupo de homens à praia para perguntarem aos nativos o que era aquilo e qual o nome do animal. Quando os marinheiros retornaram, relataram ao Capitão James Cook:
É um canguru.
Muitos anos mais tarde descobriu-se que os aborígenes não estavam dizendo o nome do animal e sim exclamando ameaças a seus interlocutores.
A explicação é do francês Professor Pangloss: os marinheiros perguntaram em inglês britânico:
What is the fuck name of this animal? (qual a droga de nome desse bicho?) 
E os nativos responderam:
Apa is jene'nguru higudie kewanuru iki'nguru!, que traduzido significa: "Fora daqui, seus ingleses invasores, ou matamos vocês!"
James Cook era marinheiro e cartógrafo, mas não um biólogo. Mas como os ingleses sempre se acham conhecedores de tudo e donos do mundo, Cook anotou no diário de bordo: "kangaroo" e, de volta à ilha, apresentou o bicho e o nome aos doutos cientistas e membros da Royal Society (the world’s most distinguished community drawn from all areas of Science) e o mundo mais uma vez curvou a cabeça pois, afinal de contas, o que podemos fazer sem a Inglaterra?
Portanto, quando vocês levarem seus filhos ou netos ao zoológico, mostrem-lhes o mamífero marsupial e expliquem:
‒ Este é o “fora daqui, seus ingleses invasores, ou matamos vocês”.
Os italianos, mais alegres e menos dados à depressão, por conta do sol e da boa comida, ensinam: "traduttore, traditore" (tradutor, traidor). E Umberto Eco, italiano, ocupou-se da indeterminação das traduções quando escreveu "Quase a Mesma Coisa" (Record, 2007) ‒ o resultado da passagem de um idioma para outro resulta em obra diferente, que parece o original, mas não é. O resultado disso são as famosas frases que os autores não disseram, caso mais flagrante aquele atribuído ao personagem Hamlet de Shakespeare dizendo a Horácio: "Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha nossa vã filosofia..." O texto original diz: "There are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy" (Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia). Algum tradutor inventou de colocar "entre o céu e a terra" e a indevida "vã filosofia", coisas que Shakespeare jamais teria imaginado.
Vocês acham que um inglês seria capaz de pensar sobre coisas "entre o céu e a terra"? O texto original é claro: "no céu e na terra"; entre os dois, nem Shakespeare nem o personagem Hamlet concebiam quaisquer outras coisas. Um inglês ou um dinamarquês também não chamariam nossa filosofia de "vã"; isso é coisa de brasileiro que ouviu a galinha cantar, mas não sabe onde está o ovo. Hamlet andava muito deprimido, mas não era estulto o bastante para proferir uma bobagem desse calibre.

]]>
<![CDATA[Com a palavra, Marco Antônio Guimarães]]>Mon, 24 Jul 2017 22:18:04 GMThttp://josemauricioguimaraes.com.br/blog/july-24th-2017Zé Maurício, bom colega e amigo desde os tempos em que não existiam afinador eletrônico, fax, CD, xerox... mas era perfeitamente possível afinar o instrumento usando os próprios ouvidos, enviar cartas ( se urgente, um telegrama ), ouvir elepês ( esse papo de "vinil" é coisa moderninha ) e manusear um mimeógrafo com maestria quando só o papel carbono não dava conta. 
Nossa especialidade sempre foi enxergar o lado engraçado de tudo e todas as coisas do mundo e, para algumas mais merecedoras, criar uma historinha com começo, meio e fim. 
Nossa teoria sobre o "Engradado de Galinhas" foi sendo desenvolvida aos poucos nos cafés de intervalos de ensaios sinfônicos até atingirmos a "quase" perfeição absoluta ( porque, segundo nosso guru Eleazar, "a perfeição é o início da decadência" ) quando, então, a gente começava a trabalhar em outra nova teoria como, por exemplo, "O Grande Parabéns".
A respeito dessas teorias esotéricas, preciso consultar o Zé Maurício para saber se algum dia poderíamos publicá-las sem ter que, necessariamente, matar todos do facebook que lessem... vamos ver.
Em São Paulo, na Osesp do tempo do maestro Eleazar de Carvalho, nossa missão secreta era anotar as palavras inventadas de improviso durante os ensaios pelo maestro Eleazar e usadas em situações de humor ( de todas as cores ), tais como: "Zóbel", "Zenóbel" e muitas outras que a prodigiosa memória do José Maurício certamente ainda guarda. 
Durante os ensaios, a cada nova palavra criado pelo maestro, a gente se olhava e fazia um gesto que significava "essa é nova" e anotávamos. O objetivo da missão era criar um glossário completo com as criativas e algumas vezes ousadas palavras que o maestro Eleazar criava quando estava prestes a perder a paciência. 
Caro amigo, é uma honra ser escolhido para a estréia de sua nova página "Música". Se este texto quase singelo for merecedor, bota ele lá. 
Abraço.
Em tempo, para aqueles que buscam um blog muito inteligente, em textos e humor, para leitura, recomendo muito o Ekislibris.
]]>